Reaprendizagem emocional, é possível?

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Joana é uma mulher inteligente, bonita, antenada, moderna, na faixa dos 30 anos. Trabalha no que gosta, tem uma situação financeira estável com chances de promoção e crescimento profissional. Está envolvida com um namorado instável, mentiroso, manipulador. E casado. “Tenho o dedo podre para homens”, afirma. A cada decepção amorosa, despenca, desmorona, compromete sua vida como um todo. Lembra uma menina, que alguém não foi buscar na escola, sozinha e abandonada.

Fernando tem 29 anos. Apesar de excelente formação profissional, ainda mora com os pais e depende deles. Está sempre se aprimorando com um novo curso, uma especialização que vai possibilitar numa excelente colocação, uma vez que as vagas atuais não estão a sua altura. Surpreendentemente, isto não o incomoda, uma vez que faz o que quer e recebe uma mesada que dá para o básico e um “pouquinho mais”. O que o atrapalha é sua impulsividade. Perde a cabeça por qualquer coisa e estoura, fala impropérios, grita, afasta as pessoas que ama de perto de si.

Lembra um menino mimado, sem preparo para a vida, que tem de tudo, menos o que de fato necessita.

Valentina é uma locomotiva que conduz vida afora uma série de compromissos e obrigações. Excelente profissional, mãe, esposa, filha, irmã, amiga...e tantas outras qualificações. Cuida de tudo e está sempre atenta às necessidade de todos. Apesar disto, financeiramente, recebe aquém de a sua capacidade. E sua grande queixa é não poder desfrutar de suas conquistas. Sente dificuldade de relaxar e sentir prazer. Inclusive sexualmente.

Lembra uma menina boazinha, corretamente sentada ao piano, sempre assustada com a possibilidade errar a musiquinha aprendida com tanto empenho.

Claudio tem 25 anos. Já possui apartamento comprado com seu próprio recurso, carro do ano. Atua no mercado financeiro em posição de destaque e de liderança. Ganha muito bem e está prestes a se casar com Sônia, sua namorada há 10 anos, já que objetivamente sua vida está estruturada, pronta.. Mas Cláudio experimenta todo este sucesso com enorme ansiedade. A vida dos dois parece a de um casal de meia idade; rotineira, presa, sem movimento. Tenso, não foge de desafios, dá conta deles, apesar das crises de pânico cada vez mais frequentes. Sua, tem calafrios, taquicardia, sente-se sufocar e várias vezes foi parar em pronto-socorro pensando estar tendo um ataque cardíaco.

Lembra um menino que teve de dar conta de tarefas acima de sua idade e não pode contar com ninguém nem pedir ajuda, por que então seria considerado fraco e incapaz.

O que essas pessoas tem em comum é o fato de estarem seguindo um Roteiro de Vida, ou Script de Vida, (Berne, Eric), que foi definido ainda na infância e hoje norteia os aspectos mais importante da história de cada um, deixando-os sem autonomia de escolhas. São alguns exemplos de vidas desperdiçadas com infelicidades que podem ser sanadas a partir de uma Reaprendizagem Emocional.

Frequentemente pessoas bem treinadas pelo ensino formal e que parecem física e intelectualmente competentes seguem funcionando aquém das possibilidades e expectativas quanto ao seu desempenho pessoal e profissional.

Assim, psicologicamente, a maioria das pessoas atuam no aqui e agora através de um filtro de cobranças internas e de um arcabouço de crenças e valores não atualizados frente à realidade objetiva. Trazem memórias da infância, coladas a estados psicofisiológicos que interferem no seu momento atual de adultos. A um estímulo estressante, semelhando vivido no lá em então, nosso Cérebro Emocional reage da mesma maneiro como se lá estivesse.

Isto porque as configurações químicas e fisiológicas do corpo permitem reações simultâneas globais que interferem em nossos ritmos pulsatórios e alteram poderosamente nosso estado de ânimo.

Funcionam com gasto energético enorme, gerando muita pressão e tensão dentro de si. Desenvolvem descontroles emocionais que são circuitos reverberativos, deflagrado em estruturas sub-corticais. Na verdade são sentimentos indisciplinados, fora do controle da consciência. Envolvem o soma e o psiquê; o cérebro e a mente. Processos metabólicos, impulsos nervosos, um micro-macro de reações bioquímicas deflagradas, produzindo sentimentos, estados emocionais, julgamentos, pensamentos, sentimentos que falam de questões fisiológicas e psicológicas. Esses estados precisam ser reconhecidos, identificados, entendidos, elaborados para serem transformados com a intermediação da consciência, do cérebro pensante.

Não se pode conter o fluxo de circulação energética no corpo, que uma emoção provoca. Pode-se seguir o fluxo, perceber a mensagem do corpo, decodificar suas informações e administrar tais sentimentos para serem expressos ou atuados da melhor maneira. Ao mesmo tempo, tais sentimentos precisam ser “elaborados”

Significa entender, porque sentimos tal coisa, qual a função de tal emoção na nossa vida, a que atitude tal emoção nos orienta, quais as consequências de expressarmos ou atuarmos nesta direção. Qual a maneira mais adequada de fazê-lo?

O caminho para isto é observar as sensações corporais. O corpo envia mensagens o tempo todo para a mente. Emoções e sentimentos são resultados dessas mensagens. São a interface, o transdutor, o intérprete dessas conversa. É uma mensagem codificada, que o cérebro pensante precisa conhecer o significado para entender seu conteúdo. Primeiro o corpo envia sinais discretos, como indisposição, mal estar, eventuais dores aqui e ali. Aos poucos, os sinais aumentam e centralizam num tema que se manifesta em um dos sistemas como, por exemplo, o digestivo, o cardíaco, o respiratório. Essas mensagens estão ligadas em algum circuito emocional – agressividade mal dirigida, dor não expressa, alegria proibida, sexualidade impedida, etc.

A abordagem terapêutica focada em Reaprendizagem Emocional refaz o caminho natural do desenvolvimento físico-psico-afetivo do ser humano, ao considerar os vários aspectos - sentimento/pensamento/ação - integrados às necessidades sociais - trabalho, família etc. Enfoca a autopercepção; o contato consigo mesmo, o contato com o outro, o contato com a realidade externa, facilitando a integração e o equilíbrio do dentro e fora de si.

Não há regra a ser seguida. Cada pessoa pode aprender a reconhecer suas próprias sensações, a como dirigi-las e a como deixá-las crescer dentro de si, e então decidir o que fazer. E aprender a comunicar adequadamente seus sentimentos e emoções. Principalmente, aprender a ouvir também o que o outro tem a dizer em seguida.

Cada um pode aprender a desfazer os nódulos de tensão corporal, liberando toxinas e possibilitando a expressão de emoções registradas nestes bloqueios. Permitindo, desta maneira, o fluir da energia saudável, que deságua numa vida instigante, envolvente e criativa...

Alguns passos nos orientam:

  • Colocar a pessoa em contado com a sua forma de funcionar no mundo. Como ela lida com seus sentimentos e emoções, como reage e interage na sua vida social/profissional e quais as consequências desse funcionar para a sua saúde. Essa comunicação consigo mesmo permite com que identifiquemos o que precisamos fazer para estarmos bem.

  • Uma reprogramação Psicofisiológica através de um treinamento que possibilite identificar e desligar o circuito de alerta e estressante, levando a um melhor equilíbrio entre tensão e relaxamento.

  • E então possibilitar que cada um acesse seus próprios recursos internos, que na maioria das vezes se encontram adormecidos no subconsciente, para aprender a lidar com seus próprios sentimentos e sensações. Assim atuar com maior eficácia nas suas vidas. Ensinar novas estratégias e possibilitar a pessoa desenvolver novos recursos que a torne apta a fazer opções mais sensatas sob pressão, reduzindo e prevenindo o estresse. Possibilitar, enfim, uma vida mais confortável dentro de seu corpo, desfrutando maior prazer e alegria de viver.

Aprender a desligar parte de sua atividade consciente e estabelecer uma boa comunicação emocional consigo mesmo desenvolve principalmente a habilidade de lidar com sentimentos e emoções. A partir daí, aprendermos a chegar à ação correta, e, como dizem os taoístas, descobrir o caminho do meio, percorrido com o menor consumo de energia para que o caminhar se dê sem esforço. Descobrir que cada gesto, cada atitude reverbera no universo e retorna mais forte ainda para si.

Aprender a não reagir, mas interagir com os estímulos da vida. Não ser nem reativo nem passivo, mas receptivo, criativo e pró-ativo.

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